quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Sobre a Alegoria

Por: Nicolas Peixoto

    O termo "alegoria" é encontrado já em Platão, mas foi Aristóteles quem primeiro buscou um conceito. Na Roma Antiga, Cícero e Quintiliano discutiram sobre o tema, e este último desenvolveu uma visão interessante: Quintiliano analisa a alegoria a partir da etimologia. "Alegoria", do grego, deriva de "allos ","outro", e "agoureuein", "falar na ágora", usar a linguagem pública. Assim, temos que, falar alegoricamente é dizer uma coisa para significar outra.
     Ocorre que, de acordo com João Adolfo Hansen, os padres medievais enxergavam desta maneira a alegoria. Hansen explica que a alegoria é um procedimento retórico capaz de afirmar uma presença in absentia. Segue assim de um exemplo: na ode XIV de Horácio, à República, temos "nave sem velas" para significar "república sem governo", aproximando a alegoria da metáfora.
     Porém, diante desses conceitos, como Benjamin se coloca? Ele modernamente diz que a alegoria é uma figura pela qual se diz algo querendo significar outra coisa, mas se opõe aos pensadores que enxergam nela apenas significação. Para o filósofo alemão, a alegoria é uma expressão, assim como a linguagem e a escrita.
     Assim, Benjamin argumenta que a alegoria está em uma relação dialética, mergulhada no abismo que há entre o "Ser visual" ("a coisa") e a significação ("o outro"). Portanto, diferentemente do que os gregos e romanos clássicos afirmavam, a alegoria não é apenas significação, mas o que há entre os dois elementos. Ela é autêntica ao ser da ideia e ao ser linguístico concomitantemente: eis aí a alegoria em Benjamin.



REFERÊNCIAS


BENJAMIN, Walter. “Alegoria e drama barroco” in Origem do Drama Barroco Alemão. Trad. Sergio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1984.

KOTHE, Flávio. Para Ler Benjamin. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.

LINO, Joselita Bezerra da Silva. “Considerações sobre a alegoria” in Dialegoria. A alegoria em Grande Sertão: veredas e em Paradiso. João Pessoa: Idéia, 2004.

PEREIRA, Marcelo de A. “Barroco, Símbolo e Alegoria em Walter Benjamin”. Disponível em: revistas.unicentro.br/index.php/analecta/article/download/1806/1602

SELIGMANN-SILVA, Márcio. “Walter Benjamin” in A Atualidade de Walter Benjamin e Theodor W. Adorno. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.