Por: Diego Coelho
O símbolo mantém maior afinidade com o
"nome". Se, para esclarecer a noção de símbolo, Benjamin (1984,p.187)
parte das teorias de Görres e sobretudo de Creuzer, para quem "a medida
temporal da experiência simbólica e o instante místico, na qual o símbolo
recebe o sentido em seu interior oculto e por assim dizer, verdejante",
então o símbolo tende a negar a presença e a participação de qualquer sujeito
constituidor do sentido, tendo tornado o seu sentido no "interior",
ou seja, tem ele sentido intrínseco, extinguindo-se a subjetividade (do
criador). O símbolo, mesmo criado por um sujeito, então expressa seu sentido da
mesma maneira que as coisas criadas por Deus, simbolizando a identidade
original da coisa-sentido e da palavra-sentido no nome. Seu sentido não é
arbitrário nem provém da relação subjetivamente estabelecida entre o símbolo e
o simbolizado, mas resulta duma conexão objetivamente dada e necessária. Nega
ele seu caráter semiótico, buscando uma união bidimensional da palavra e da
coisa, excluindo e renunciando a participação de qualquer subjetividade.
REFERÊNCIAS
BENJAMIN, Walter. “Alegoria e drama barroco” in Origem do
Drama Barroco Alemão. Trad. Sergio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1984.
LINO, Joselita Bezerra da Silva. “Considerações sobre a
alegoria” in Dialegoria. A alegoria em Grande Sertão: veredas e em Paradiso.
João Pessoa: Idéia, 2004.
JUNKES, Lauro. "O processo de alegorização em Walter
Benjamin" . Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/article/view/5361