quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O Símbolo para Benjamin

Por: Diego Coelho

      O símbolo mantém maior afinidade com o "nome". Se, para esclarecer a noção de símbolo, Benjamin (1984,p.187) parte das teorias de Görres e sobretudo de Creuzer, para quem "a medida temporal da experiência simbólica e o instante místico, na qual o símbolo recebe o sentido em seu interior oculto e por assim dizer, verdejante", então o símbolo tende a negar a presença e a participação de qualquer sujeito constituidor do sentido, tendo tornado o seu sentido no "interior", ou seja, tem ele sentido intrínseco, extinguindo-se a subjetividade (do criador). O símbolo, mesmo criado por um sujeito, então expressa seu sentido da mesma maneira que as coisas criadas por Deus, simbolizando a identidade original da coisa-sentido e da palavra-sentido no nome. Seu sentido não é arbitrário nem provém da relação subjetivamente estabelecida entre o símbolo e o simbolizado, mas resulta duma conexão objetivamente dada e necessária. Nega ele seu caráter semiótico, buscando uma união bidimensional da palavra e da coisa, excluindo e renunciando a participação de qualquer subjetividade.



REFERÊNCIAS


BENJAMIN, Walter. “Alegoria e drama barroco” in Origem do Drama Barroco Alemão. Trad. Sergio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1984.

LINO, Joselita Bezerra da Silva. “Considerações sobre a alegoria” in Dialegoria. A alegoria em Grande Sertão: veredas e em Paradiso. João Pessoa: Idéia, 2004.

JUNKES, Lauro. "O processo de alegorização em Walter Benjamin" . Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/article/view/5361