sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A Escrita: Constelação de Citações

Por: Sulamita Siliprandy

A escrita de Benjamin é fragmentada e para ele, “Escrever a história significa [...] citar a história.”. Segundo Sarlo (2013), a sua paixão pela citação habitava tudo o que escreveu.
            Ele ambicionava escrever um livro inteiro só de citações. Esta obra seria Passagens, porém ficou inacabada. Para este livro, o autor reuniu centenas de citações, fotografias, fichas, recortes e esboços.
            Seu olhar era fragmentário, procurava incessantemente a totalidade nos detalhes quase imperceptíveis.  Ele tinha o dom de encadear as citações, modelá-las e cortá-las como se fossem uma estrutura pessoal. Com esse jeito diferente de escrever, manteve uma relação original, poética e correspondente a um método de composição recorrendo à noção de intertextualidade.
            Essa obsessão se deve a descoberta que Benjamin teve com a lembrança proustiana. Esta seria a condenação, ao mesmo tempo em que seria uma marca genial em sua obra: nada pode ser acabado por completo. Além disso, Benjamin era colecionador e apaixonado por suas coleções. Ele notou que o trabalho de leitura é cumulativo e infinito. Assim como suas coleções, seu trabalho de leitura é sempre incompleto.



REFERÊNCIAS


KOTHE, Flávio. Para Ler Benjamin. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.

SARLO, Beatriz. Sete ensaios sobre Walter Benjamin e um lampejo. Trad. Joana Angélica. Rio de Janeiro: UFRJ, 2013.