Por: Sulamita Siliprandy
A escrita de Benjamin é fragmentada e
para ele, “Escrever a história significa [...] citar a história.”. Segundo
Sarlo (2013), a sua paixão pela citação habitava tudo o que escreveu.
Ele ambicionava escrever um livro
inteiro só de citações. Esta obra seria Passagens,
porém ficou inacabada. Para este livro, o autor reuniu centenas de citações,
fotografias, fichas, recortes e esboços.
Seu olhar era fragmentário, procurava
incessantemente a totalidade nos detalhes quase imperceptíveis. Ele tinha o dom de encadear as citações,
modelá-las e cortá-las como se fossem uma estrutura pessoal. Com esse jeito
diferente de escrever, manteve uma relação original, poética e correspondente a
um método de composição recorrendo à noção de intertextualidade.
Essa obsessão se deve a descoberta
que Benjamin teve com a lembrança proustiana. Esta seria a condenação, ao mesmo
tempo em que seria uma marca genial em sua obra: nada pode ser acabado por
completo. Além disso, Benjamin era colecionador e apaixonado por suas coleções.
Ele notou que o trabalho de leitura é cumulativo e infinito. Assim como suas
coleções, seu trabalho de leitura é sempre incompleto.
REFERÊNCIAS
KOTHE, Flávio. Para Ler Benjamin. Rio de
Janeiro: Francisco Alves, 1976.
SARLO, Beatriz. Sete ensaios sobre Walter
Benjamin e um lampejo. Trad. Joana Angélica. Rio de Janeiro: UFRJ, 2013.