Por: Nicolas
Peixoto
Em suas reflexões, Walter Benjamin volta-se para o passado não apenas com
o olhar que compreende o passado como construtor do presente, mas com o
conhecimento de que o presente reconstrói o passado. Em geral, o passado é
representado pela ruína, a felicidade perdida que mostra uma felicidade
possível, causando frustração e melancolia no agora. A partir desse raciocínio,
Flávio Kothe pensa a história como uma ruína.
De fato, a história linear, contada pelos "vencedores", é a
ruína: o fato que nos é contado silencia as outras vozes. Por sua vez, a
alegoria dá voz ao oprimido, ao ofuscado. Podemos pensar então a literatura
como uma alegoria, pois é a história do outro que não houve (como podemos ver no
conto "A primeira comunhão de Afonso Ribeiro", de Alberto Mussa).
Assim, é por este motivo que a alegoria a partir de Benjamin torna-se uma
espécie de chave, pois ela é uma expressão que nos permite compreender a
modernidade, já que torna visível tudo o que foi rejeitado ou esquecido pela
história oficial.
REFERÊNCIAS
BENJAMIN,
Walter. “Alegoria e drama barroco” in Origem do Drama Barroco Alemão. Trad.
Sergio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1984.
KOTHE, Flávio.
Para Ler Benjamin. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.
LINO, Joselita
Bezerra da Silva. “Considerações sobre a alegoria” in Dialegoria. A alegoria em
Grande Sertão: veredas e em Paradiso. João Pessoa: Idéia, 2004.
PEREIRA,
Marcelo de A. “Barroco, Símbolo e Alegoria em Walter Benjamin”. Disponível em:
revistas.unicentro.br/index.php/analecta/article/download/1806/1602
SELIGMANN-SILVA,
Márcio. “Walter Benjamin” in A Atualidade de Walter Benjamin e Theodor W.
Adorno. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.