Por: Nicolas
Peixoto
No período barroco, temos a morte como principal alegoria. Em sua
obra Origem do Drama Barroco Alemão, Walter Benjamin afirma que a
morte não é apenas mais uma categoria estética barroca, mas sim o seu tema
principal. Ela tem uma função paradoxal: matar e salvar o objeto, ao mesmo
tempo.
Desse modo, o alegorista é capaz de transformar o vivo em morto. Segundo
Joselita Lino, o alegorista fala em paraíso querendo dizer cemitério; fala de
uma bela mulher querendo dizer esqueleto. Assim, a morte no barroco significa a
história.
Portanto, podemos compreender a morte como a verdadeira estrutura da
alegoria. Para que um objeto ganhe propriedade alegórica, ele deve ser privado
de sua vida. Dessa forma, a harpa morre para virar um machado, por exemplo. O
trabalho do alegorista é então o de matar o objeto; e assim este pode irradiar
qualquer sentido.
REFERÊNCIAS
BENJAMIN,
Walter. “Alegoria e drama barroco” in Origem do Drama Barroco Alemão. Trad.
Sergio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1984.
KOTHE, Flávio.
Para Ler Benjamin. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.
LINO, Joselita
Bezerra da Silva. “Considerações sobre a alegoria” in Dialegoria. A alegoria em
Grande Sertão: veredas e em Paradiso. João Pessoa: Idéia, 2004.
PEREIRA,
Marcelo de A. “Barroco, Símbolo e Alegoria em Walter Benjamin”. Disponível em:
revistas.unicentro.br/index.php/analecta/article/download/1806/1602
SELIGMANN-SILVA,
Márcio. “Walter Benjamin” in A Atualidade de Walter Benjamin e Theodor W.
Adorno. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.