quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Barroco, Morte e Alegoria

Por: Nicolas Peixoto

     No período barroco, temos a morte como principal alegoria. Em sua obra Origem do Drama Barroco Alemão, Walter Benjamin afirma que a morte não é apenas mais uma categoria estética barroca, mas sim o seu tema principal. Ela tem uma função paradoxal: matar e salvar o objeto, ao mesmo tempo.
     Desse modo, o alegorista é capaz de transformar o vivo em morto. Segundo Joselita Lino, o alegorista fala em paraíso querendo dizer cemitério; fala de uma bela mulher querendo dizer esqueleto. Assim, a morte no barroco significa a história.
     Portanto, podemos compreender a morte como a verdadeira estrutura da alegoria. Para que um objeto ganhe propriedade alegórica, ele deve ser privado de sua vida. Dessa forma, a harpa morre para virar um machado, por exemplo. O trabalho do alegorista é então o de matar o objeto; e assim este pode irradiar qualquer sentido.



REFERÊNCIAS


BENJAMIN, Walter. “Alegoria e drama barroco” in Origem do Drama Barroco Alemão. Trad. Sergio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1984.

KOTHE, Flávio. Para Ler Benjamin. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.

LINO, Joselita Bezerra da Silva. “Considerações sobre a alegoria” in Dialegoria. A alegoria em Grande Sertão: veredas e em Paradiso. João Pessoa: Idéia, 2004.

PEREIRA, Marcelo de A. “Barroco, Símbolo e Alegoria em Walter Benjamin”. Disponível em: revistas.unicentro.br/index.php/analecta/article/download/1806/1602

SELIGMANN-SILVA, Márcio. “Walter Benjamin” in A Atualidade de Walter Benjamin e Theodor W. Adorno. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.