Por:
Sulamita Siliprandy
Walter Benjamin tem uma vida e uma obra que, por mais que
se tente evitar cair no biografismo, tendem a não se separar. Seu nome completo
era Walter Benedix Schönflies Benjamin. Quando nasceu, seus pais tiveram a
ideia de que ele poderia se tornar um escritor, então lhe deram esses dois
nomes do meio, para que ninguém notasse imediatamente que ele era judeu.
Segundo Seligmann-Silva (2010:16), Benjamin era um nômade
por paixão e convicção. O autor foi forçado a se deslocar constantemente ao
longo de sua vida e por conta disso, passou a maior parte da sua vida em
trânsito.
A escrita do autor é fragmentada e, para ele, escrever a
história é citar a história. Sua obra mais ambiciosa (Passagens),
totalmente composta por citações e fragmentos, não foi concluída e deixou
abertos muitos caminhos que o livro teria fechado definitivamente.
Em 1940, sua biblioteca foi apreendida junto com seus
manuscritos na busca realizada pela Gestapo em seu apartamento em Paris (metade
de seus livros ficou preso na Alemanha). Hannah Arendt (2008:184) questiona:
“Como viveria sem uma biblioteca, como poderia ganhar a vida sem a imensa
coleção de citações e excertos em seus manuscritos?”.
No dia 26 de setembro do mesmo ano, ao tentar atravessar a
fronteira franco-espanhola, Benjamin tira sua própria vida por medo de cair em
mãos inimigas ao saber que as autoridades fecharam a fronteira e anunciaram que
não reconheceriam os vistos de entrada. No dia seguinte, a fronteira foi
reaberta e permitiu-se a passagem dos que o acompanhavam.
REFERÊNCIAS
ARENDT, Hannah. “Walter Benjamin: (1892-1940)” in Homens
em tempos sombrios. Trad. Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras,
2008.
SARLO, Beatriz. Sete ensaios sobre Walter Benjamin
e um lampejo. Trad. Joana Angélica. Rio de Janeiro: UFRJ, 2013.
SELIGMANN-SILVA, Márcio. “Walter Benjamin” in A
Atualidade de Walter Benjamin e Theodor W. Adorno. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2009.